Esqueça aquele Classe A (codinome W168) que capotou no teste do alce e no mercado brasileiro, quando se tentou vender um Mercedes-Benz “quase popular” fabricado em Juiz de Fora (MG). Da geração seguinte do carrinho (a W169), você provavelmente nem se lembra: poucos exemplares chegaram ao Brasil importados da Alemanha. Agora estamos frente a frente com um Classe A que resolveu mudar a filosofia de vida. Deixou de ser um acanhado monovolume, ganhou músculos e quer comprar briga com os Audi A3 e BMW Série 1. É uma bela tentativa de rejuvenescer a imagem da marca alemã.
Apresentado em março no Salão de Genebra, o carro começa a ser vendido na Europa. Jornalistas de todo o mundo tiveram a chance de dirigir o modelo pela primeira vez no começo de julho. Para tanto, a Daimler AG traçou um circuito de 250 km pela Eslovênia, país de estradas pouco movimentadas e com asfalto perfeito. Verão de 38°C, simpáticas loirinhas de roupas muito curtas... Parece que chegamos ao céu. É melhor conhecer o modelo neste cenário do que esperar por seu desembarque no Brasil, agendado para o segundo trimestre do ano que vem (com preços começando na casa dos R$ 100 mil).
Na medida do Série 1
O único ponto em comum com os antigos Classe A é o uso de motor transversal e tração dianteira. O W176 (este é o nome-código do novo Mercedes) é um hatch de carroceria baixa e muita sugestão esportiva. Comparado a seu avô produzido em Minas Gerais, tem 71 cm a mais de comprimento e 16 cm a menos de altura. A plataforma vem do atual Classe B europeu e inclui suspensão multibraços na traseira. A mesma base também será usada em um sedã (a ser apresentado em Genebra 2013), em um pequeno utilitário e numa perua.
Ainda está por ser decidido quais versões chegarão ao Brasil. A “básica” provavelmente será a A 200, com a qual iniciamos a avaliação pelos caminhos eslovenos. A posição do volante é absolutamente perfeita, bem vertical e com amplas opções de ajuste. O banco do motorista abraça e tem regulagem elétrica, por meio daqueles botõezinhos na porta que já são tradicionais na Mercedes. É carro para quatro pessoas, no máximo, já que o túnel central do assoalho é bem alto (promessa de uma futura versão com tração integral).
Em resumo: com 1.370 kg, o A 200 não chega a ser lerdo, mas fica devendo toda a esportividade que seu desenho promete. A parte boa é que, no meio do caminho, havia uma serrinha sinuosa e, aí, o novo Classe A mostra o encanto de sua direção muito direta, com assistência eletromecânica na medida certa. Nas curvas, ele é perfeito. Curiosamente, este hatch de tração dianteira parece menos subesterçante do que a maioria dos Mercedes com tração traseira... Será um acerto na medida para brigar com o BMW Série 1?
Na parada para almoço, os engenheiros da Mercedes tentaram mastigar para os jornalistas coroas outra bossa do novo modelo. É o sistema que permite conectar o iPhone a um cabo no porta-luvas e, por meio de uma tela no painel, usar aplicativos do iTunes, entrar no Facebook e no Twitter.
Entre outras gracinhas, o carro pode conversar com os amigos de seu dono, informando, por meio de mensagens automáticas, onde está e quanto tempo demora a chegar a um destino... Também toca as músicas armazenadas no iPhone. São milhares de frescuras para agradar aos jovens que usarão um Mercedes pela primeira vez – ao menos ocupando o banco do motorista. Tudo isso é acionado por meio de um botão no console – parece complicado, mas se você tem menos de 30 anos, aprenderá tudo de boa.
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